Argentina seguindo os passos de Chávez?
Em uma matéria atual da Bloomberg BusinessWeek, Cristina Kirchner é citada em relação à suas decisões sobre as privatizações. Há algum tempo a Argentina era o país mais promissor da América Latina, com oportunidades claras de crescimento em muitas áreas e já superando alguns problemas de ditadura durante o período mundial da Guerra Fria e do problema com as Ilhas Malvinas. Atualmente, no entanto, está entre os mais arriscados países para investimentos e conta com problemas econômicos sérios. Em 2001 a economia entrou em uma fase problemática, o país declarou moratória a U$100 bilhões e ainda estatizou muitas empresas, diminuindo a confiança do investidor internacional.
Desde 2003 os Kirchners estão no poder nacionalizando U$ 24 bilhões e levantando U$6,6 bilhões das reservas para o pagamento de dividas. O principal assunto comentado pela Bloomberg foi o de que a Sra. Kirchner acaba de nacionalizar o monopólio de petróleo YPF, anteriormente liderado pela Repsol espanhola. Ainda nessa semana, a presidenta fez questão de colocar a culpa dos problemas de falta de energia nos fornecedores estrangeiros, sendo essa a maior nacionalização de recursos naturais desde o caso russo em 2003 com a Yuko.
A mídia internacional, assim como o esperado, caiu em cima do processo, mencionando as muitas nacionalizações e expropriações praticadas pelo presidente Hugo Chávez e em menor quantidade no Equador e na Bolívia. Enquanto isso, a Argentina tem menos jazidas durante os anos, sendo que só de 1999 até hoje a quantidade diminuiu em 18%. Cristina ficou mais popular com o tempo, principalmente pela questão das Malvinas, na qual ela se posicionou novamente contra Londres no aniversário do conflito.
Internacionalmente a imagem da Argentina cai, as pessoas mais ricas passam a colocar seu dinheiro em outras regiões do globo, procurando proteção da instabilidade econômica do país, inflação e expropriações do governo. A imagem da Argentina chega aos pés da deteriorada Cuba e da problemática Venezuela.
Enquanto isso, apesar de o Brasil não demonstrar grandes preocupações com isso, é interessante observar que o Mercosul inclui esses países, e enquanto um grupo poderia se fortalecer com uma integração econômica, parece que os países da América Latina estão cada um por si em um movimento que traz bons fluidos a alguns e maus a outros. O Chile e o Brasil se destacam como países mais estabilizados e saudáveis, enquanto outros continuam seguindo linhas menos radicais e mais coerentes com o mercado internacional.
E vocês o que acham das políticas econômica e de estatização argentinas?
